
nota: C+
CRÍTICA: ★½ PÚBLICO: ★★½
- Título Original: Star Wars: The Clone Wars
- Direção: Dave Filoni
- Roteiro: Henry Gilroy, Steven Melching e Scott Murphy (personagens e universo de George Lucas)
- Produção: Catherine Winder
- Elenco (voz): Matt Lanter, Ashley Eckstein, James Arnold Taylor, Dee Bradley Baker, Tom Kane, Nika Futterman, Ian Abercrombie, Corey Burton, Catherine Taber, Kevin Michael Richardson, Sir Christopher Lee, David Acord, etc.
- Gênero: Animação, Ação, Aventura, Ficção Científica, Fantasia
- Duração: 98min (1h38min)
- Classificação: Livre (BRA), M/6 (POR), PG (MPAA)
Filmes Anteriores:
- Guerra nas Estrelas (dir. George Lucas, 1977) – A-
- O Império Contra-Ataca (dir. Irvin Kershner, 1980) – A
- O Retorno de Jedi (dir. Richard Marquand, 1983) – A-
- Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma (dir. George Lucas, 1999) – C+
- Star Wars Episódio II: Ataque dos Clones (dir. George Lucas, 2002) – C
- Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith (dir. George Lucas, 2005) – B+
Série Antecessora:
- Star Wars: Clone Wars (2003-2005) – 82/100
Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante…
A galáxia está em estado de guerra. Desde os eventos ocorridos em “Star Wars Episódio II: Ataque dos Clones” (dir. George Lucas, 2002), os exércitos de clones da República Galáctica, liderados pelos cavaleiros jedi, têm bravamente lutado contra os gigantescos batalhões de droids da aliança separatista, liderada pelo mestre sith Conde Dooku (Sir Christopher) e seus seguidores. Neste esforço de guerra, os dois lados se apressam para adquirir novos aliados, conquistando a lealdade de sistemas estelares e grupos anteriormente neutros. Por exemplo, um grupo cuja aliança seria proveitosa para ambos os lados é o clã Hutt, liderado pelo poderoso Jabba (Richardson), que controla parte da chamada “orla exterior” da galáxia, ao qual o acesso seria vantajoso tanto para a República quanto para os separatistas.
Assim, quando o filho de Jabba (Acord) é misteriosamente raptado, e seu pai promete se aliar a qualquer dos grupos que consiga resgatá-lo, as partes beligerantes destacam forças para este trabalho. Do lado dos jedi, o Chanceler Palpatine (Abercrombie) convoca Anakin Skywalker (Lanter) para a missão, que é acompanhado por um pelotão de clones e (a contragosto) por sua nova aprendiz padawan, Ahsoka Tano (Eckstein). Da mesma forma, Dooku assegura Jabba que uma de suas seguidoras, Asajj Ventress (Futterman), iria resgatar a criança.
Contudo, o que nem o líder Hutt, nem os jedi inicialmente sabem é que, na verdade, quem raptou o pequeno foi a própria Ventress, a comando de seu mestre. Porém, ao invés de simplesmente entregá-lo para o pai, e aproveitar a recompensa, os vilões preparam uma armadilha para Anakin e Ahsoka, deixando que eles levem o menino por um certo tempo, para então poderem acusá-los de serem os reais sequestradores, colocando Jabba contra a República. O plano então seria derrotar os dois jedi e, só então, devolver o jovem Hutt… ou pelo menos é o que parece. A verdade é que o plano completo dos vilões, se realmente analisado, é tão complexo, tão cheio de variáveis, e tão estranhamente saturado de reviravoltas, que não seria difícil concluir que as personagens, ou, pior, os roteiristas, estavam simplesmente improvisando.
Ademais, essa não é a única estranheza do roteiro de “Star Wars: A Guerra dos Clones” (dir. Dave Filoni, 2008). Outra particularidade é sua inusitada estrutura. Este filme serve, claramente, como uma espécie de episódio piloto para a série “Star Wars: A Guerra dos Clones” (2008-2020), lançada mais tarde naquele mesmo ano, e, talvez por causa disso, o longa se estrutura de uma maneira que mais se parece com três ou quatro episódios aglutinados do que com um longa-metragem concebido como tal. Uma forma de se perceber isso é notando que os episódios do seriado são sempre introduzidos por uma narração, que explica resumidamente o contexto do capítulo que está prestes a começar (substituindo os tradicionais letreiros da franquia), e que o filme não só é introduzido por uma narração, mas também possui duas ou três outras, que aparecem no decorrer da exibição, resumindo algum acontecimento transcorrido entre duas cenas. O resultado dessa aparente “colagem” de episódios é que a história não flui muito bem, e a narrativa fica notoriamente desajeitada, culpa também da montagem do filme (Jason Tucker) .
Isso também explicaria um aspecto que é, no mínimo, curioso sobre este longa: a premissa. A história deste capítulo da saga centra-se entorno de nada mais que, bem, o resgate de um bebê. Aliás, o resgate de um bebê não para vencer uma batalha, criar uma estratégia complexa, ou por simples heroísmo, mas sim para ganhar uma, talvez pequena, vantagem espacial na guerra. Se comparada com, por exemplo, os outros títulos da franquia, ou com episódios da própria série, a história deste filme realmente mais se parece com a de um episódio piloto do que com a de um longa-metragem de Star Wars. E, mesmo com essa simplicidade da premissa, o filme faz de tudo para tentar estendê-la o máximo que consegue.
Outras questões um tanto falhas são a animação e design das personagens. Quanto a animação, penso que os modelos das personagens, feitos em computação gráfica, devem ter sido pensados e modelados tendo em mente, sobretudo, as cenas de ação, visto que, enquanto nesse tipo de cena, em geral, a movimentação deles parece bem fluida e natural, em cenas de diálogos ou sem muito movimento esses mesmos modelos parecem duros e um pouco artificiais, lembrando personagens de videogame. Já quanto ao design, as personagens são desenhadas de um modo bastante estilizado, com contornos geométricos, olhos grandes e claras linhas de expressão, algo que em si não é um problema, mas que se torna desconfortável a partir do momento em que o filme passa a usar, com certa frequência, planos fechados no rosto das pessoas, algo que acaba evidenciando a estranheza de alguns desses desenhos, a dureza e artificialidade de seus modelos 3D e, pior de tudo, o quão mal a animação envelheceu com o passar dos anos.
No entanto, deve-se ressaltar que a maior parte da equipe artística da obra faz um trabalho muito bem feito: os cenários, a iluminação, os efeitos visuais, a direção de arte, a música, enfim, tudo aquilo que ajuda a construir esse universo dentro do contexto animado merece, ao menos, uma menção honrosa. Além disso, por mais robótica que seja a animação da maioria dos personagens humanoides, ela acaba funcionando bem nos droids, que, afinal, são robôs, e nos clones — além de funcionarem, como já citado, nas cenas de ação.
Essas cenas, inclusive, são de longe as mais divertidas e empolgantes do filme, mesmo que nem todas sejam perfeitas. Se o aperfeiçoamento dos efeitos especiais aumentou os limites do que se poderia fazer nos filmes de Star Wars, e a trilogia prequel tomou vantagem disso — até demais eu diria —, recriar esse universo em animação praticamente elimina todos os limites restantes, criando infinitas possibilidades para as cenas de ação: desde duelos de sabre de luz mais tradicionais, até batalhas na vertical subindo por despenhadeiros, passando por fenomenais batalhas espaciais entre naves. Quanto a pelo menos esse aspecto, “Guerra dos Clones” acerta em cheio.
O que é infeliz, porém, é que esses acertos não são suficientes para se sobreporem aos seus erros. No final das contas, “The Clone Wars” é um filme medíocre, com um roteiro e montagem muito mal trabalhados, animação de personagem constantemente incômoda e uma história simples que é “esticada” o máximo possível para poder preencher o tempo de projeção. Dentre os filmes da franquia, este não é o pior, mas está longe das maravilhas de que essa saga é capaz, mesmo com as suas boas cenas de ação e as ótimas qualidades da produção.

