Star Wars: A Guerra dos Clones (2008) – Crítica

Star Wars: The Clone Wars (2008)

nota: C+

CRÍTICA: ½  PÚBLICO: ½
  • Título Original: Star Wars: The Clone Wars
  • Direção: Dave Filoni
  • Roteiro: Henry Gilroy, Steven Melching e Scott Murphy (personagens e universo de George Lucas)
  • Produção: Catherine Winder
  • Elenco (voz): Matt Lanter, Ashley Eckstein, James Arnold Taylor, Dee Bradley Baker, Tom Kane, Nika Futterman, Ian Abercrombie, Corey Burton, Catherine Taber, Kevin Michael Richardson, Sir Christopher Lee, David Acord, etc.
  • Gênero: Animação, Ação, Aventura, Ficção Científica, Fantasia
  • Duração: 98min (1h38min)
  • Classificação: Livre (BRA), M/6 (POR), PG (MPAA)

Filmes Anteriores:

  • Guerra nas Estrelas (dir. George Lucas, 1977) – A-
  • O Império Contra-Ataca (dir. Irvin Kershner, 1980) – A
  • O Retorno de Jedi (dir. Richard Marquand, 1983) – A-
  • Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma (dir. George Lucas, 1999) – C+
  • Star Wars Episódio II: Ataque dos Clones (dir. George Lucas, 2002) – C
  • Star Wars Episódio III: A Vingança dos Sith (dir. George Lucas, 2005) – B+

Série Antecessora:

  • Star Wars: Clone Wars (2003-2005) – 82/100

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante…

A galáxia está em estado de guerra. Desde os eventos ocorridos em “Star Wars Episódio II: Ataque dos Clones” (dir. George Lucas, 2002), os exércitos de clones da República Galáctica, liderados pelos cavaleiros jedi, têm bravamente lutado contra os gigantescos batalhões de droids da aliança separatista, liderada pelo mestre sith Conde Dooku (Sir Christopher) e seus seguidores. Neste esforço de guerra, os dois lados se apressam para adquirir novos aliados, conquistando a lealdade de sistemas estelares e grupos anteriormente neutros. Por exemplo, um grupo cuja aliança seria proveitosa para ambos os lados é o clã Hutt, liderado pelo poderoso Jabba (Richardson), que controla parte da chamada “orla exterior” da galáxia, ao qual o acesso seria vantajoso tanto para a República quanto para os separatistas.

Assim, quando o filho de Jabba (Acord) é misteriosamente raptado, e seu pai promete se aliar a qualquer dos grupos que consiga resgatá-lo, as partes beligerantes destacam forças para este trabalho. Do lado dos jedi, o Chanceler Palpatine (Abercrombie) convoca Anakin Skywalker (Lanter) para a missão, que é acompanhado por um pelotão de clones e (a contragosto) por sua nova aprendiz padawan, Ahsoka Tano (Eckstein). Da mesma forma, Dooku assegura Jabba que uma de suas seguidoras, Asajj Ventress (Futterman), iria resgatar a criança.

Contudo, o que nem o líder Hutt, nem os jedi inicialmente sabem é que, na verdade, quem raptou o pequeno foi a própria Ventress, a comando de seu mestre. Porém, ao invés de simplesmente entregá-lo para o pai, e aproveitar a recompensa, os vilões preparam uma armadilha para Anakin e Ahsoka, deixando que eles levem o menino por um certo tempo, para então poderem acusá-los de serem os reais sequestradores, colocando Jabba contra a República. O plano então seria derrotar os dois jedi e, só então, devolver o jovem Hutt… ou pelo menos é o que parece. A verdade é que o plano completo dos vilões, se realmente analisado, é tão complexo, tão cheio de variáveis, e tão estranhamente saturado de reviravoltas, que não seria difícil concluir que as personagens, ou, pior, os roteiristas, estavam simplesmente improvisando.

Ademais, essa não é a única estranheza do roteiro de “Star Wars: A Guerra dos Clones” (dir. Dave Filoni, 2008). Outra particularidade é sua inusitada estrutura. Este filme serve, claramente, como uma espécie de episódio piloto para a série “Star Wars: A Guerra dos Clones” (2008-2020), lançada mais tarde naquele mesmo ano, e, talvez por causa disso, o longa se estrutura de uma maneira que mais se parece com três ou quatro episódios aglutinados do que com um longa-metragem concebido como tal. Uma forma de se perceber isso é notando que os episódios do seriado são sempre introduzidos por uma narração, que explica resumidamente o contexto do capítulo que está prestes a começar (substituindo os tradicionais letreiros da franquia), e que o filme não só é introduzido por uma narração, mas também possui duas ou três outras, que aparecem no decorrer da exibição, resumindo algum acontecimento transcorrido entre duas cenas. O resultado dessa aparente “colagem” de episódios é que a história não flui muito bem, e a narrativa fica notoriamente desajeitada, culpa também da montagem do filme (Jason Tucker) .

Isso também explicaria um aspecto que é, no mínimo, curioso sobre este longa: a premissa. A história deste capítulo da saga centra-se entorno de nada mais que, bem, o resgate de um bebê. Aliás, o resgate de um bebê não para vencer uma batalha, criar uma estratégia complexa, ou por simples heroísmo, mas sim para ganhar uma, talvez pequena, vantagem espacial na guerra. Se comparada com, por exemplo, os outros títulos da franquia, ou com episódios da própria série, a história deste filme realmente mais se parece com a de um episódio piloto do que com a de um longa-metragem de Star Wars. E, mesmo com essa simplicidade da premissa, o filme faz de tudo para tentar estendê-la o máximo que consegue.

Outras questões um tanto falhas são a animação e design das personagens. Quanto a animação, penso que os modelos das personagens, feitos em computação gráfica, devem ter sido pensados e modelados tendo em mente, sobretudo, as cenas de ação, visto que, enquanto nesse tipo de cena, em geral, a movimentação deles parece bem fluida e natural, em cenas de diálogos ou sem muito movimento esses mesmos modelos parecem duros e um pouco artificiais, lembrando personagens de videogame. Já quanto ao design, as personagens são desenhadas de um modo bastante estilizado, com contornos geométricos, olhos grandes e claras linhas de expressão, algo que em si não é um problema, mas que se torna desconfortável a partir do momento em que o filme passa a usar, com certa frequência, planos fechados no rosto das pessoas, algo que acaba evidenciando a estranheza de alguns desses desenhos, a dureza e artificialidade de seus modelos 3D e, pior de tudo, o quão mal a animação envelheceu com o passar dos anos.

No entanto, deve-se ressaltar que a maior parte da equipe artística da obra faz um trabalho muito bem feito: os cenários, a iluminação, os efeitos visuais, a direção de arte, a música, enfim, tudo aquilo que ajuda a construir esse universo dentro do contexto animado merece, ao menos, uma menção honrosa. Além disso, por mais robótica que seja a animação da maioria dos personagens humanoides, ela acaba funcionando bem nos droids, que, afinal, são robôs, e nos clones — além de funcionarem, como já citado, nas cenas de ação.

Essas cenas, inclusive, são de longe as mais divertidas e empolgantes do filme, mesmo que nem todas sejam perfeitas. Se o aperfeiçoamento dos efeitos especiais aumentou os limites do que se poderia fazer nos filmes de Star Wars, e a trilogia prequel tomou vantagem disso — até demais eu diria —, recriar esse universo em animação praticamente elimina todos os limites restantes, criando infinitas possibilidades para as cenas de ação: desde duelos de sabre de luz mais tradicionais, até batalhas na vertical subindo por despenhadeiros, passando por fenomenais batalhas espaciais entre naves. Quanto a pelo menos esse aspecto, “Guerra dos Clones” acerta em cheio.

O que é infeliz, porém, é que esses acertos não são suficientes para se sobreporem aos seus erros. No final das contas, “The Clone Wars” é um filme medíocre, com um roteiro e montagem muito mal trabalhados, animação de personagem constantemente incômoda e uma história simples que é “esticada” o máximo possível para poder preencher o tempo de projeção. Dentre os filmes da franquia, este não é o pior, mas está longe das maravilhas de que essa saga é capaz, mesmo com as suas boas cenas de ação e as ótimas qualidades da produção.

(Cartoon #1.1) DuckTales: Os Caçadores de Aventuras (2017) – 1ª Temporada (2017-2018) – Crítica

Bobby Moynihan, Kate Micucci, Danny Pudi, and Ben Schwartz in DuckTales (2017)

nota: A-

CRÍTICA: ★½  PÚBLICO:
  • Título Original: DuckTales
  • Desenvolvimento para a Televisão: Francisco Angones e Matt Youngberg
  • Direção: John Aoshima (8 eps.), Dana Terrace (6 eps.), Matthew Humphreys (7 eps.), Tom Owens (3 eps.), Francisco Angones (1 ep.), Tanner Johnson (4 eps.)
  • Roteiro: Francisco Angones (4 ep.), Rachel Vine (1 ep.), Madison Bateman (5 eps.), Bob Snow (5 eps.), Christian Magalhaes (5 eps.), Colleen Evanson (5 eps.), Noelle Stevenson (1 ep.), Ben Joseph (1 ep.)
  • Produção: Suzanna Olson e Francisco Angones
  • Elenco: David Tennant, Ben Schwartz, Danny Pudi, Kate Micucci, Bobby Moynihan, Tony Anselmo, Kimiko Glenn, Toks Olagundoye, etc.
  • Gênero: Animação, Aventura, Comédia
  • Duração: 2 episódios de 44 min e 21 episódios de 22min (550min ou 9h10min)
  • Classificação: (BRA) TV-Y7 (US)

EPISÓDIOS

S01E01 – Woo-oo! / Escape to/from Atlantis! (P: ★Top4)

½ ★Top4 / 

S01E02 – Daytrip of Doom! (P: ½)

S01E03 – The Great Dime Chase! (P: ★Top5)

S01E04 – The Beagle Birthday Massacre! (P: ½)

S01E05 – Terror of the Terra-Firmians! (P: ½)

S01E06 – The House of the Lucky Gander! (P: )

S01E07 – The Infernal Internship of Mark Beaks! (P: ½ Pior)

½ Pior

S01E08 – The Living Mummies of Toth-Ra! (P: )

S01E09 – The Impossible Summit of Mt. Neverrest! (P: )

S01E10 – The Spear of Selene! (P: )

S01E11 – Beware the B.U.D.D.Y. System! (P: )

½

S01E12 – The Missing Links of Moonshire! (P: )

S01E13 – McMystery at McDuck McManor! (P: ½)

S01E14 – Jaw$! (P: )

S01E15 – The Golden Lagoon of White Agony Plains! (P: )

½ ★Top5

S01E16 – Day of the Only Child! (P: ½)

S01E17 – From the Confidential Casefiles of Agent 22! (P: )

S01E18 – Who is Gizmoduck?! (P: ½)

S01E19 – The Other Bin of Scrooge McDuck! (P: )

S01E20 – Sky Pirates… in the Sky! (P: ½)

S01E21 – The Secret(s) of Castle McDuck! (P: ★Top3)

½ ★Top3

S01E22 – The Last Crash of the Sunchaser! (P:½ ★Top2)

½ ★Top2

S01E23 – The Shadow War! (P: ½ ★Melhor)

½ ★Melhor

(Crítica sem spoilers, por ser a primeira temporada)

Um sentimento completamente compreensível é a apreensão quanto ao reboot. Sempre que é anunciado um reboot de uma série, principalmente se é uma série clássica e com alto valor nostálgico, haverá, inevitavelmente, reclamações vindas dos fãs da original. Não foi diferente quando anunciaram DuckTales: Os Caçadores de Aventuras (2017-), baseado no desenho animado de mesmo nome lançado em 1987. Porém, o novo desenho completamente superou as expectativas já no seu primeiro episódio, sendo um ótimo exemplo tanto de como se renovar uma série, quanto de como as animações televisivas da Disney têm mantido sua qualidade.

A premissa básica se mantém a mesma: os sobrinhos do Pato Donald (Anselmo), Huey, Dewey e Louie (Pudi, Schwartz e Moynihan), saem em aventuras pelo mundo com seu Tio-Avô bilionário Scrooge McDuck (Tennant). Porém, um dos aspectos que torna essa reimaginação tão especial e boa não é algo que se manteve, mas que foi adicionado: mais desenvolvimento e personalidade às personagens. Os sobrinhos trigêmeos, por exemplo, que sempre foram representados, praticamente, como clones uns dos outros sem nada além das roupas para os diferenciar, têm personalidades diferentes entre si e, em vários episódios, seguem em aventuras separadas sem estarem sempre juntos como era de costume.

Outras duas personagens que sofreram alterações interessantes foram o Scrooge e a Webby (Micucci). Webbigail Vanderquack, que no original era feita para tentar atrair o público feminino, mas que se tornou uma das personagens mais detestadas pela audiência, é recriada de maneira completamente diferente. Agora a neta da empregada Beakley (Olagundoye), em vez de ser simplesmente “a menina” do grupo, é uma personagem bem mais elaborada, e, certamente, a mais divertida da série. É uma menina ágil, inteligente e aventureira, mas com dificuldades de interação, que é obcecada pela família do Sr. McDuck, além de ser parte importante das aventuras e da trama maior que se forma no decorrer da temporada.

Scrooge, por outro lado, não recebe muita alteração na sua personalidade, mas lhe é adicionado uma história de fundo junto com Donald: os dois brigaram por alguma razão, que eles guardam em segredo dos sobrinhos, e por isso deixaram de se falar por vários anos. A revelação do porquê é uma das melhores e mais emotivas cenas da série.

O primeiro episódio, sendo dividido em duas partes de 22 minutos, faz o papel de introduzir o seriado e as personagens na sua primeira parte e uma espécie de “exemplo de aventura” na segunda, demonstrando já de início os dois principais tipos de episódio que iriam acontecer dali pra frente. Essa premiere também introduz um dos principais vilões, o segundo pato mais rico do mundo e arqui inimigo de Scrooge, Flintheart Glomgold.

Os episódios variam entre os mais “slice of life”, que mostra o cotidiano da família, seja dentro da mansão de Scrooge, seja na cidade de Duckburg; os mais focados nas aventuras, normalmente acontecendo no exterior; e os que misturam os dois formatos, contendo aventuras menores num espaço mais familiar. Entre isso tudo, existe uma história principal que lentamente se constrói e culmina no excelente finale, ainda deixando alguns mistérios não resolvidos. Dos três tipos, o segundo acaba rendendo os episódios melhores e mais interessantes, mesmo que todas as três categorias contenham ótimos capítulos. A série quanto à qualidade é bastante constante e muito boa, inclusive no que se refere à animação.

Nesse tópico, aliás, o desenho consegue criar uma identidade visual que parece tanto nova como antiga e que remete ao tracejado dos quadrinhos. A escolha de colorir certas partes do cenário, ou certos objetos, usando pequenos pontinhos coloridos, característicos de histórias em quadrinhos antigas (das quais vêm vários personagens da série), demonstra isso.

Nesta mesma linha, pode-se apontar uma das maiores qualidades da série como reboot, qualidade essa que é compartilhada com o que há de melhor entre remakes e reboots: um grande respeito ao original, tentando ao mesmo tempo ser algo novo e diferente enquanto presta homenagem ao antigo. Várias referências, piadas internas e personagens têm origem na série de 1987 e outras animações do bloco “Disney Afternoon”, como Darkwing Duck (1991-1992), Os Ursinhos Gummi (1985-1991) e Esquadrilha Parafuso (1990-1991).

Já entre as personagens novas, duas se destacam: Mark Beaks e Lena. Beaks é um novo vilão, CEO de uma grande empresa de tecnologia e rival bilionário de McDuck e Glomgold. A inspiração em empresários como Mark Zuckerberg e afins é clara e serve, entre outros motivos (que seriam spoilers), para atualizar o desenho para um cenário de século XXI. Nas suas primeiras aparições, ele é desagradável e irritante, mas com certos acontecimentos secundários na história, ele se torna relativamente mais justificável como personagem. Lena é uma amiga de Webby que tem uma sombria conexão com a história principal e é forte concorrente para a melhor personagem da série.

Contando com um humor inteligente, ótimos personagens, excelentes episódios e uma animação muito bem trabalhada, DuckTales é mais um acerto no histórico recente de desenhos da Disney. Com isso em mente também, essa se configura como uma das melhores primeiras temporadas na memória recente da produtora; e se isso é indicação de algo, é que só vai melhorar daqui para frente. Woo-oo!