
Reprodução: IMDb
Esse filme foi divertido demais. Adoro uma boa comédia de zumbis… desculpa, de “deficientes-vivos”.
Em primeiro lugar, eu gosto muito de todo o conceito de “We are zombies” (dir. François Simard, Anouk Whissell e Yoann-Karl Whissell, 2023). O mundo é infestado pelos mortos-vivos, mas eles são inofensivos. Eles apenas estão lá, não sendo uma ameaça real a ninguém. E, ainda assim, os seres humanos, sendo como são, passam a segregá-los socialmente e abusar deles de vários modos diferentes. A crítica social é um pouco óbvia e rasa? Com certeza, mas ela consegue construir alguns bons momentos cômicos também. Além disso, o longa tem a consciência, a self-awarenes, necessária para não deixar essa crítica muito forçada ou vergonhosa.
A ação e os efeitos visuais também são muito bons. As melhores partes são, claro, as diferentes maneiras como as personagens interagem com os zumbis. E eu gostei que os mortos têm desings e maquiagens muito diferentes entre si, refletindo quem aquelas pessoas eram em vida, e como elas tinham morrido. Devo reconhecer principalmente a criatividade do desing do zumbi “peça de arte” do final do filme, costurado com outros membros e pedaços de corpos. Muito medonho.
Com isso dito, eu não diria que essa comédia está no mesmo patamar de novos clássicos como “Todo mundo quase morto” (dir. Edgar Wright, 2004) ou “Plano-sequência dos mortos” (dir. Shin’ichirō Ueda, 2017). O longa tem certos problemas de ritmo, e as piadas nem sempre são muito boas, além de que o clímax é um pouco curto e anticlimático. Porém, mesmo com esses defeitos, eu estaria mentindo se dissesse que não me diverti e muito com “We are zombies”. E dá para ver que todo o elenco também estava se divertindo fazendo esse filme. Ele é claramente feito por pessoas que adoram filmes de zumbi, e isso resulta em um filme que é igualmente sangrento, divertido e engraçado. E às vezes isso é o melhor que se pode esperar de uma comédia como essa. Nota: B (bom)


