We are zombies (2023) – Hooptober XI (3/35)

Reprodução: IMDb

Esse filme foi divertido demais. Adoro uma boa comédia de zumbis… desculpa, de “deficientes-vivos”.

Em primeiro lugar, eu gosto muito de todo o conceito de “We are zombies” (dir. François Simard, Anouk Whissell e Yoann-Karl Whissell, 2023). O mundo é infestado pelos mortos-vivos, mas eles são inofensivos. Eles apenas estão lá, não sendo uma ameaça real a ninguém. E, ainda assim, os seres humanos, sendo como são, passam a segregá-los socialmente e abusar deles de vários modos diferentes. A crítica social é um pouco óbvia e rasa? Com certeza, mas ela consegue construir alguns bons momentos cômicos também. Além disso, o longa tem a consciência, a self-awarenes, necessária para não deixar essa crítica muito forçada ou vergonhosa.

A ação e os efeitos visuais também são muito bons. As melhores partes são, claro, as diferentes maneiras como as personagens interagem com os zumbis. E eu gostei que os mortos têm desings e maquiagens muito diferentes entre si, refletindo quem aquelas pessoas eram em vida, e como elas tinham morrido. Devo reconhecer principalmente a criatividade do desing do zumbi “peça de arte” do final do filme, costurado com outros membros e pedaços de corpos. Muito medonho.

Com isso dito, eu não diria que essa comédia está no mesmo patamar de novos clássicos como “Todo mundo quase morto” (dir. Edgar Wright, 2004) ou “Plano-sequência dos mortos” (dir. Shin’ichirō Ueda, 2017). O longa tem certos problemas de ritmo, e as piadas nem sempre são muito boas, além de que o clímax é um pouco curto e anticlimático. Porém, mesmo com esses defeitos, eu estaria mentindo se dissesse que não me diverti e muito com “We are zombies”. E dá para ver que todo o elenco também estava se divertindo fazendo esse filme. Ele é claramente feito por pessoas que adoram filmes de zumbi, e isso resulta em um filme que é igualmente sangrento, divertido e engraçado. E às vezes isso é o melhor que se pode esperar de uma comédia como essa. Nota: B (bom)

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Perversão Assassina (1986) – Hooptober XI (2/35)

Reprodução: IMDb

Nossa, eu não esperava gostar tanto desse filme. A primeira coisa que deve ser citada aqui é o vilão, um sociopata medonho (e alemão) interpretado por Klaus Kinski. Esse parece um papel que ele nasceu para interpretar, é a escolha perfeita para essa personagem. E ele trabalha muito bem no filme. A maneira como ele fala — sempre sussurrando bem calmamente –, e o fato de que ele age como se todas as atrocidades que ele comete fossem normais, mais uma terça-feira, passa muito bem esse sentimento medonho, creepy. Um daqueles vilões tão sádicos que chegam a dar raiva.

Outra coisa que gostaria de destacar aqui é que o filme se passa, quase inteiramente, em uma única locação. Com a exceção de duas cenas, que mostram o lado de fora da janela de uma personagem, o filme inteiro é filmado dentro de um condomínio de apartamentos. Isso ajuda tanto a criar um sentimento de claustrofobia, de que não há escapatória daquele lugar, quanto ajuda a dar ao vilão uma certa onipotência. Ele está de olho em tudo, e em controle de tudo em volta das personagens, até mesmo dos apartamentos.

Com isso dito, “Perversão Assassina” (dir. David Schmoeller, 1986) por vezes pode ser bem tosco, o resto das atuações estão longe de serem impressionantes, e a história tem alguns detalhes que são meio forçados. Mas, de verdade, nada disso me incomodou muito. É um filme de terror slasher tão louco, e tão divertido, que estou disposto a “deixar de lado”, por ora, os momentos toscos e a má atuação. Uma surpresa agradável.

E lembre-se: não confie em proprietários de apartamentos alemães que têm pessoas presas no sótão e são filhos de nazistas. Só um conselho. Nota: B- (o.k.)

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O Ciclone (1978) – Hooptober XI (1/35)

Reprodução: IMDb

De longe, o pior aspecto de “O Ciclone” (dir. René Cardona Jr., 1978) são os seus diálogos. Tanto que as melhores partes do filme são as que não tem nenhuma fala. E, aparentemente, isso não era o bastante — que os diálogos fossem mal escritos — a dublagem tinha que tornar tudo ainda pior. O filme é inteiro dublado por cima (no original), e é um resultado tão horroroso que chega a ser engraçado. Algumas dessas falas são inacreditáveis, e elas são ditas de uma forma que tenta parecer séria, mas fica tão claro que os dubladores estavam lendo que chega a ser impressionante.

Mas o que torna esse filme ainda mais bizarro é que, no meio do caminho, ele se torna um filme de sobrevivência mais ou menos decente. Eu acho que os produtores tinham planejado fazer um longa sobre pessoas sobrevivendo juntas em um barco, e aí se lembraram que eles tinham que inventar uma razão para eles estarem juntos ali. Honestamente, “O Ciclone” parece dois filmes diferentes colados juntos, com a primeira parte sendo um filme de desastre terrível, e a segunda um longa decente sobre sobrevivência extrema. Só que essa virada só parece acontecer depois de um certo ponto, o nascimento do bebê.

Não fosse pela primeira parte, eu provavelmente gostaria mais desse filme, mesmo com a sua dublagem hilária. Minha maior crítica à segunda parte é que, como a primeira não desenvolve as personagens direito, não chegamos a conhecê-las nem a ligar para elas (com exceção do cachorro, claro). Assim, quando algumas delas morrem, ou são devoradas por tubarões (com a trilha sonora mais bizarra possível), eu não dei a mínima. Talvez se eles tivessem feito um melhor trabalho na primeira parte, eu talvez ligasse para algum humano naquele barco, e não apenas para o pobre do cachorro.

E sim, eu também achei que eles fossem comer o bebê. Nota: C- (muito ruim)

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