
nota: A –
Público: ★★★½
- Título Original: Faisons un rêve…
- Direção: Sacha Guitry
- Roteiro: Sacha Guitry (baseado na própria peça)
- Elenco: Sacha Guitry, Raimu, Jacqueline Delubac, etc.
- Gênero: Comédia
- Duração: 86min (1h26min)
- Classificação: Tous Public (FRA)
Muito Bom
“O que realmente se destaca entre as várias qualidades desta obra são três coisas: Sacha Guitry, Sacha Guitry e Sacha Guitry”
Durante uma festa formal, um casal (Raimu e Delubac) se encontra com um antigo conhecido (Guitry); ele convida os dois para irem à sua casa no dia seguinte, pois ele gostaria de lhes mostrar algo. O marido fica um pouco relutante pois diz que teria uma reunião importante no horário marcado, mas acaba indo junto com a esposa de qualquer forma. Depois de esperarem por algum tempo em um escritório sem sinal do dono da casa, o marido decide ir embora, deixando a mulher esperando pelo anfitrião. Mal o marido sai de cena, o homem deixa seu esconderijo (o banheiro) e nos é revelado que, na verdade, ele e a mulher são amantes.
A partir daí, “Vamos Sonhar” (Dir. Sacha Guitry, 1936) passa a acompanhar o amante. Ele se encontra mais algumas vezes com a personagem de Jacqueline Delubac, sempre tentando estar longe da suspeita do cônjuge. A maneira como a premissa do filme é executada e apresentada, ainda mais depois que certos fatos são descobertos, é simplesmente incrível e divertida. Ademais, o roteiro como um todo, composto em grande parte por diálogos e monólogos, é maravilhoso; o jeito que toda a história é amarrada, junto com situações e conversas legitimamente hilárias, são apenas alguns dos aspectos que fazem esse longa, que é essencialmente uma crítica à hipocrisia da classe alta francesa, ser tão bom quanto é.
Mas o que realmente se destaca entre as várias qualidades desta obra são três coisas: Sacha Guitry, Sacha Guitry e Sacha Guitry. Além de ter escrito o roteiro, dirigido o filme e escrito a peça na qual o roteiro é baseado, ele também interpreta o amante e completamente rouba toda cena em que está (que é praticamente o filme inteiro). Jogando diálogos rápidos, verborrágicos e engraçados, Guitry apresenta um timing cômico admirável, marcando sua presença seja em uma simples conversa, seja em um longo monólogo em que quebra a quarta parede. Se os constantes falatórios não ficam enfadonhos ou maçantes depois de meia hora de filme, é, em grande parte, por causa dele.
Como já citado, o roteiro é baseado em uma peça de teatro e, por isso, várias características daquele meio acabam passando para a adaptação; entre elas, os já citados monólogos e longos diálogos. Por causa dessas semelhanças, a fotografia (Georges Benoît) sabe se aproveitar bastante de planos longos, registrando vários dos discursos em um único plano, o que, para 1936, é impressionante e merece o devido reconhecimento. Outra consequência desse formato é que, com exceção do prólogo (a festa), o filme se passa inteiramente em um só cenário: a casa da personagem de Guitry. Mesmo gostando dessa teatralidade, consigo imaginar como alguém poderia não gostar dessa característica.
“Vamos Sonhar” é uma delícia de comédia. Rápido, energético e engraçado, o filme não para de entreter por um segundo. Sacha Guitry absolutamente domina sua obra de maneira fenomenal, estando sempre no centro das situações e temas de um roteiro muito bem trabalhado e que conta, para melhor ou para pior, com um aspecto teatral sempre presente, seja nas falas das personagens, seja na impressionante fotografia.









